Ilhabela
tem belas praias, natureza exuberante e é um dos destinos turísticos mais
charmosos do litoral paulista. Mas também tem aventura. E para quem gosta de
visitar uma bela praia e também de se aventurar pela Mata Atlântica, a visita à
Praia de Castelhanos é imperdível.
Esta praia fica do lado da Ilhabela voltado para o oceano e não é urbanizada, ou
seja, mantém o aspecto selvagem das praias desertas. Não há luz elétrica, e a
pequena comunidade de pescadores do local leva uma vida agreste. Como estrutura
apenas dois pequenos restaurantes à beira mar, onde se pode desfrutar o prazer
de uma refeição quase ao ar livre, de frente para o mar.
Para visitar Castelhanos, a melhor opção é seguir a trilha que atravessa a Ilha.
Esta trilha tem 22 km de extensão, sendo que na ida enfrentamos 12 Km de subida
e 10 Km de descida, ambas bastante íngremes em alguns pontos. Aliás,
desaconselhamos o acesso com veículos de passeio. Em tempo seco, com utilitários
com boa distância do solo, ainda é possível cruzar esta trilha. Mas com tempo
úmido ou chuvoso, somente veículos com tração 4X4 conseguem se dar bem. A
Ciaventura faz estes passeios regularmente levando os turistas em veículos
apropriados.
Nossa equipe fez este passeio com o patrocínio de uma empresa da cidade, um
receptivo especializado em ecoaventuras. Eles nos disponibilizaram um guia e
fomos num valente Land Rover para este incrível passeio.
Saímos da Praia do Perequê por volta das 10:30, e em alguns minutos chegamos ao
início da trilha. No início a trilha em subida é tranqüila, e em pouco tempo
entramos na área do Parque Estadual de Ilhabela, região protegida por leis
ambientais e com mata atlântica de extrema exuberância. Nosso guia Fábio
conduzia o Land Rover com cuidado, e pelo caminho nos contava sobre curiosidades
locais. Comentou conosco o fato de aquela região ser protegida, mas que pessoas
inescrupulosas costumavam deixar pelo caminho lixos do tipo latas, restos de
embalagens, garrafas plásticas e outros.
É muito importante e prazerosa a visita a locais de natureza intocada, e mais
importante ainda é colaborar para a preservação destes paraísos. O respeito pela
natureza e pelo delicado equilíbrio ecológico é uma atitude que devemos
encorajar sempre, para nós e nossos filhos.
A subida transcorre tranqüila por uns 15 ou 20 minutos, mas aí começamos a
percorrer trechos de piso mais irregular. É aí que notamos que percorrer esta
trilha não dá mesmo para carros de passeio. O Fábio nos relatou que muita gente
tenta e se dá mal, e no caminho passamos por um Corsa, que chegou à praia com a
suspensão avariada e que não teria condições de voltar.
O visual é deslumbrante: à nossa volta mata fechada, a trilha cada vez mais
esburacada, troncos de árvores caídas pelo caminho, tudo enfim dava a todos a
sensação de uma autêntica aventura. Nosso guia parava de vez em quando para o
pessoal tirar fotos, lembrança indispensável neste passeio.
Chegando ao alto da trilha, depois de 12 Km, uma parada para ver a praia do
alto, longínqua. Os próximos 10 Km seriam de descida, e o guia Fábio nos
informou que na volta seriam mais difíceis quando se transformassem em subida.
Mais passeios, mais paradas e finalmente chegamos perto da praia. O Land Rover
atravessou ainda um pequeno riacho, profundo o suficiente para parar carros de
pequeno porte.
Finalmente, a praia. Linda, paradisíaca. A região tem diversos riachos, e a
flora local é impressionante. Estacionamos o Land Rover e partimos para explorar
a praia, que tem aproximadamente 2 Km de extensão e areias claras.
A praia toda é excelente para o banho. Do lado esquerdo rolam ondas boas para o
Surf, e a desembocadura do riacho cria um local delicioso entre o encontro das
águas doces com o mar.
Vimos de tudo pela praia: surfistas pegando boas ondas do lado esquerdo,
motoqueiros com suas Cross brincando nas pequenas dunas formadas no final da
praia, alguns banhistas deliciando-se nas águas mais calmas do lado direito.
Pouca gente, muita natureza.
No lado direito da praia uma pequena trilha nos levava a um morro, e subindo por
uns 200 metros chegamos a umas pedras donde se tinha excelente visual de toda a
praia. Matamos uma curiosidade: alguns dos habitantes locais nos falaram que a
praia vista de cima tinha uma formação que lembrava um coração... e foi
realmente o que vimos.
E depois de visitar a praia, um bom almoço num dos restaurantes locais, comida
trivial e deliciosa. Saborear um peixe à beira-mar em uma praia quase selvagem é
um prazer bastante raro, que nós recomendamos a todos.
Voltamos por volta das 4 da tarde. A subida na volta realmente era bastante
íngreme, mas nada que o Land Rover não transpusesse com galhardia. A trilha em
si leva cerca de 1h e 20 min., tanto na ida como na volta.
Passeio inesquecível com muito prazer e aventura. Não se esqueça de levar roupa
de banho, e se possível uma muda de roupa de reserva. É aconselhável iniciar a
trilha com calçado, um bom par de tênis, principalmente para subir no mirante. E
muito necessário é um bom repelente de insetos, pois a região tem bastantes
borrachudos.